Este artigo de opinião de Manuel Moniz é um exemplo perfeito de tudo o que um jornalista não deve fazer, nem mesmo quando escreve opinião, além de ser uma inadmissível manifestação de despeito.
A razão de ser é fácil de descortinar. Manuel Moniz, subdirector do Diário dos Açores, é defensor do mercado livre e da ausência de subsídios excepto no que diz respeito à comunicação social, em particular a escrita e muito em particular a do Grupo Gráfica Açoriana. Desde que o Governo Regional decidiu regulamentar em moldes estratégicos, rigorosos e consequentes a atribuição de apoios à comunicação social, Moniz, ao invés de procurar gizar um plano de modernização do títuto que subdirige, preocupou-se em atacar constantemente o titular da pasta que tutela a área da comunicação social.
Desta vez foi longe de mais. É absolutamente lamentável que se utilizem qualificativos como "perigoso e nada recomendável", "burro" ou "mentiroso" para atestar uma putativa razão ou para fundamentar uma suposta argumentação. Se o debate é de fundo, se é político ou estratégico, a atoarda pessoal é a arma do desesperado.
Ainda por cima - e este argumento já não era necessário - o que diz Manuel Moniz sobre a Deliberação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social está errado, incorrecto, é parcial e foi ontem mesmo desmentido, por várias vezes, em plena Assembleia Municipal de Ponta Delgada pela própria Presidente da Câmara.
29 Fevereiro 2008
Shame!!!
Publicada por Andre Bradford em 2/29/2008 8 comentários
Etiquetas: Jornalismo, Política Regional
28 Fevereiro 2008
Sai uma conferência de imprensa!
Nesta altura do campeonato não deve haver açoriano com televisão que não conheça o líder do PPM nos Açores e vice-Presidente do Directório Nacional dos Monárquicos, e professor na ilha do Corvo, Paulo Estêvão. Dia sim, dia não, o correspondente da RTP/A no Corvo leva a Câmara até à secretária onde está sentado o Dr. Estêvão e já está, sai uma conferência de imprensa sobre tudo e sobre nada, com direitos reservados e garantia de transmissão.
Trata-se obviamente de uma cobertura noticiosa desproporcionada, quer atendamos à dimensão eleitoral do PPM, em confronto por exemplo com o PCP ou com o BE, quer atendamos ao eleitorado que o Dr. Estêvão precisa para ser eleito deputado pelo Corvo - mais ou menos 120 corvinos.
O líder regional do PPM está a fazer o seu papel. A RTP/Açores não, porque lhe compete mitigar a produção noticiosa do Dr. Estêvão com critérios de interesse noticioso, tratamento equitativo das diversas forças políticas - o que significa também proporcionalidade - e bom senso.
Acresce também o facto de não me parecer aceitável que o Dr. Estêvão leve três anos e quase meio em hibernação política, para agora vir tentar fazer crer que os Açores precisam muito dele sentado na Assembleia Legislativa da RAA.
Publicada por Andre Bradford em 2/28/2008 8 comentários
Etiquetas: Política Regional
25 Fevereiro 2008
E esta?
Black Kids - I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance With You
O que a nova música deveria ser. Ou já é. From Jacksonville, Florida, the Black Kids.
Publicada por Andre Bradford em 2/25/2008 0 comentários
Etiquetas: Música
fragmentos
quando tirou a camisola de gola alta que usava mesmo em tempo húmido, fitou o corpo quase todo tatuado e sentiu-se, como sempre acontecia ao fim da tarde, dono de si mesmo. aqui ainda mando eu, pensou, embora soubesse, com dolorosa certeza, que para mandar na sua vida tinha de se continuar a esconder atrás de uma blusa de gola alta no pino do Verão.
Publicada por Carla Vanessa em 2/25/2008 0 comentários
19 Fevereiro 2008
Já não vou a tempo...
Publicada por Andre Bradford em 2/19/2008 1 comentários
Etiquetas: Internacional
14 Fevereiro 2008
Agente por pouco tempo
Foi um enorme prazer participar ontem, por 45 minutos, no Agente Provocador, rodeado de gente que comunga de algumas das minhas principais causas - a música, a política e uma certa mania de seguir a actualidade. À semelhança do Pedro, fiquei com a nítida sensação de que tudo se passou demasiado rápido, mas isso, no caso concreto, é declaramente um bom sinal.
Ficaram muitas músicas por passar, muitas coisas por dizer, particularmente em termos políticos e jornalísticos, e ficou uma vontade sólida de criar um podcast do Blog Tipo Assim,
Publicada por Andre Bradford em 2/14/2008 1 comentários
Efeito Boomerang
"É mais uma polémica em torno do regime de incompatibilidades. Pedro Santana Lopes, enquanto Primeiro-ministro, assinou a privatização do handling da TAP com a entrada dos espanhóis da Globalia e, em 2007, prestou serviços como advogado da mesma empresa. Santana Lopes diz estar de consciência tranquila e insiste que a lei das incompatibilidades está desactualizada."
Notícia TVI
Todos nos lembramos de ouvir e ver Santana Lopes perguntar ontem a Sócrates, num estilo menino guerreiro de olhos no chão, se teria assinado projectos sobre os quais não era responsável e mencionar, como quem não quer a coisa, a lei das incompatibilidades. Ora, isto é o que se chama apanhar com o boomerang em cheio no que restava de credibilidade.
Publicada por Andre Bradford em 2/14/2008 2 comentários
Etiquetas: Política
12 Fevereiro 2008
2 Anos
O Blog Tipo Assim, faz dois anos - para sermos matemáticos, "fez" dois anos, já que a data certa foi ontem. Seiscentos e tal posts, setenta e cinco mil e tal hits, e muito gozo neste escape criativo aberto a quem dele possa tirar algum proveito. Relendo o princípio da coisa, devo confessar que já fui mais imaginativo, mais engraçado, menos agarrado à política e aos interesses, menos "agendado", menos comprometido, mas manter um blog dois anos (quase) sozinho não é nada fácil.
A gente também tem dias, semanas e até meses. Há alturas em que a angústia do post em branco suplanta toda e qualquer inspiração. Há alturas em que a impulsividade mata qualquer lampejo de qualidade. Há alturas em que sim, e alturas em que não.
Dois anos começa a ser idade suficiente para ter juízo.
Publicada por Andre Bradford em 2/12/2008 17 comentários
Etiquetas: Blog
11 Fevereiro 2008
Jukebox
1. Kate Nash - Mouthwash
Não é a primeira vez de miss Nash no Blog Tipo Assim. Esteve por cá numa mixtape de novos talentos, com Foundations, o primeiro avanço do badalado álbum de estreia, Made of Bricks, que só viria a ser lançado à escala mundial em 2008. Enfim, um sotaque e uma voz indomáveis, as letras próprias de quem não deve e ainda não teme, e um invejável jeito para escrever canções.
2. Jack Johnson - If I Had Eyes
Confesso que ainda não ouvi o álbum todo, mas não preciso de o fazer para aplaudir o regresso de Johnson. É outra vez sucesso garantido, sem transigir na qualidade, na essência do seu folk surf. Cheira novamente a praias hawaianas, a noites à fogueira, a rum com cola, a bermudas e panamás, e ao lado bom da vida. Eu sou fã incondicional há muito tempo e não encontro razões para deixar de ser.
3. Michael Jackson ft. Akon e Will.I.Am - I Wanna Be Startin' Something
Que trio! Que som! Um dos mais conseguidos regressos dos últimos tempos. Ressuscitado de um calvário judicial com consequências profissionais e financeiras desastrosas, Jackson rodeou-se dos homens do momento para comemorar os 25 anos de thriller. Este é apenas um exemplo - talvez o melhor - do que o Black Eyed Pea Will.I.Am fez à música, já de si fantástica, do álbum mais vendido de sempre.
4. Lenny Kravitz - Confused
Falando em regressos, cá está mais um. Óbvio e pouco inspirado, mas com este blues de enorme qualidade. Kravitz tem condições técnicas e criativas para ser o que quiser na música pop dos nossos dias, é pena que tenha escolhido ser (quase) sempre igual.
5. Hot Chip - Made in the Dark
Made in the Dark serve para provar a versatilidade de uma banda que, apesar de já ter uns aninhos e de ter sido já incensada pela crítica indie, só agora chega à alta roda. Ao contrário do hit Ready for the Floor, aqui a conversa é outra, delicodoce, nostálgica, como se a alma dançante tivesse ficado às escuras por quatro minutos. Brilhante.
6. Rihanna - Don't Stop the Music
E perguntam-me vocês, Rihanna???! E vou eu e digo, Rihanna claro! Não pode ser só coincidência alguém que, aos 19 anos, consegue engendrar dois álbuns pilhados de sucessos e manter a unanimidade do público e de uma certa crítica, que lhe concede o lugar de mega-vedeta tolerada. Para mim, Don't Stop... é mesmo a melhor faixa da sua ainda curta carreira.
7. Adele - First Love
Ah! Estava a ver que era só artistas mainstream, disfarçados de uma certa qualidadezinha Rolling Stone - diz-me a minha consciência musical, que logo em seguida saca da nova sensação britânica, Adele, num gesto de puro despeito. Eu diria que se Amy Winehouse não sair da reabilitação tão cedo, já encontramos substituta. Fisica e psicologicamente não há qualquer semelhança, mas a intensidade da voz e da alma tem tudo a ver. "19" entra já para a lista dos discos do ano.
8. Morcheeba ft. Judy Tzuke - Enjoy the Ride
Perderam a vocalista residente e ganharam um montão de novas possibilidades, que vão do famoso chefe nova-iorquino Anthony Bourdain à recuperada Tzuke, cuja carreira tinha congelado na década passada. Continuam a fazer canções como poucos, misturando na dose certa bom gosto, uma pitada de experimentalismo e muita classe.
9. Cat Power - New York
Segundo disco de covers para Cat Power, com a particularidade de dar pelo nome de Jukebox. O álbum é uma jóia, do princípio ao fim, de Sinatra a Dylan, de Janis Joplin a Billie Holliday, dos Creedence a James Brown, está lá tudo o que pode interessar a quem quer rever a história da música popular contemporânea numa das vozes do momento.
Publicada por Andre Bradford em 2/11/2008 1 comentários
Etiquetas: Música
09 Fevereiro 2008
Pecadilhos Inspectivos
Acreditem que a última coisa que me apetece fazer no início de um fim-de-semana é escrever sobre a ASAE, mas estou absolutamente farto da piadinha fácil, da boquinha foleira e da conversinha cínica sobre o trabalho de uma entidade que realmente funciona.
Eu tenho consciência de que o português é assim mesmo. Passa anos a desancar tudo o que é instituição, sobretudo pública - que não funciona, que não é competente, que é corrupta, que não faz sentido, que o que eles querem é encher o pandulho, e por aí fora - mas quando está perante uma entidade (ainda por cima de fiscalização) que apresenta resultados, que cumpre os propósitos, que justifica os meios de que dispõe, ainda que não seja simpática, passa a zurzir que funciona em demasia, que é demasiado rigorosa, que o seu director fuma em lugares proibidos, que a farda parece a do FBI, que não eram necessários os treinos, e etc. e tal.
O pecado da ASAE parece ser, pois, o de funcionar bem de mais, e com pecados destes posso eu bem.
Publicada por Andre Bradford em 2/09/2008 4 comentários
Etiquetas: Diversos
07 Fevereiro 2008
Micro-Capitalismo Popular

Os pequenos titulares de acções são a carne para canhão do capitalismo popular. Investem o pouco que têm na aquisição de títulos que, podendo conferir-lhes um benefício ou um prejuízo material, acabam sempre por não lhes dar quaisquer meios de escrutínio ou fiscalização das decisões que condicionam esse mesmo benefício ou prejuízo. Quando é para pagar, pagam todos; quando é para receber, alguns recebem muito, desproporcionalmente.
Nunca se ouviu falar de uma manifestação de pequenos accionistas, de um bloqueio das instalações da empresa de que são titulares, de uma vigília ou de uma petição online de pequenos capitalistas ludibriados, mas a realidade justificaria todos estes meios de luta.
Porém, contentam-se com uma mini-entrevista à porta da Bolsa ou do Edifício da Alfândega, no Porto, de seis em seis meses, quando o mercado oscila ou as comadres se zangam. Chegam a fazer 400 km de carro para juntarem os seus 65 Euros em acções aos milhões que realmente mandam.
Supostamente, não terão boca de abrir, porque se tratam de empresas privadas, com dinheiros privados, geridas por privados, que almejam o lucro e que, como tal, não têm deveres de responsabilidade social.
Eu não tenho acções, mas se tivesse já teria fundado uma espécie de CGTP dos micro-accionistas e organizado uma manif nacional à porta do BCP. Só para começar.
Publicada por Andre Bradford em 2/07/2008 2 comentários
06 Fevereiro 2008
Melhor que Estar Informado # 8
Para quem acha a dita "Super Tuesday" e o sistema eleitoral americano demasiado complexo, aqui fica um vídeo explicativo da mecânica da coisa (ups!), protagonizado por quem sabe pouco menos do que nós.
Publicada por Andre Bradford em 2/06/2008 0 comentários
Etiquetas: Melhor que Estar Informado
05 Fevereiro 2008
Obama, americano e universal

A maioria dos comentadores pensa em Obama como o primeiro negro que quase chegou lá, o pendant ideal para a senhora que sempre se soube que lá chegaria - há também, e há que admiti-lo, alguns comentadores que pensam que ambos são o par ideal para que os Republicanos voltem a ganhar, mas isso são batatas de outro perú. Eu - que não sou comentador - acho que Obama é o melhor que a Democracia contemporânea podia arranjar para manter acessa a chama daqueles que começavam a não acreditar.
Dito de outro modo, Obama é um fenómeno americano mas é também um caso universal. O menino queniano do Hawai, que estuda em Harvard e que esmaga uma Convenção Democrata a falar de mudança, esperança e comunhão, é também, para outros noutras latitudes, a voz da sala-de-estar, o bom-senso possível, o paladino da política das boas almas.
Obama é a América como ela gostaria de ter sido se não tivesse que ser os Us of A, mas é também o que os outros que gostam da América gostariam que ela fosse.
Por uma cruel ironia do destino, aconteceu o mesmo com Bill Clinton.
Publicada por Andre Bradford em 2/05/2008 0 comentários
Etiquetas: Internacional, Política
04 Fevereiro 2008
Mixtapes 7
"Best of 2007 Mixtape"
10.Jack Peñate - Torn on the Platform
9. The Bird and the Bee - Again and Again
8. Tegan and Sara - Call it Off
7. Kings of Leon - Arizona (Live)
6. CRS - Us Placers
5. TV on the Radio - Province
4. Rilo Kiley - Dreamworld
3. Plain White T's - Hey There Delilah
2. The National - Mistaken for Strangers
1. Ingrid Michaelson - The Way I Am
Em regime de parceria entre Um Blog Tipo Assim, Uma Casa com Vista para o Mar e :Ilhas.
Publicada por Andre Bradford em 2/04/2008 1 comentários
Etiquetas: Música
Isso e o facto de ter nascido para mandar

Churchill mudou de partido duas vezes ao longo da sua carreira política. E não foi propriamente do PCTP/MRPP para o POUS. De conservador para liberal e depois para conservador outra vez. Sentiu-se, segundo as suas próprias palavras, "o mais liberal dos conservadores e o mais conservador dos liberais, mas nunca em simultâneo". Foi acusado de oportunismo e acabou relativamente tolerado pelos dois partidos.
O seu problema maior, diria eu, é que tirava demasiadas consequências das situações em que se via envolvido. Ah!, isso e o facto de ter nascido para mandar.
Publicada por Andre Bradford em 2/04/2008 1 comentários
Etiquetas: Internacional, Política
Dos Tops # 1
Sara Bareilles - Love Song
(9º lugar Top US)
É californiana e toca piano. De francês tem apenas o sobrenome. As influências assumidas vão de Elton John a Norah Jones, passando por Sam Cooke, Ben Folds ou Fiona Apple. Parece que anda no circuito desde 2003, mas nunca ninguém lhe ligou como agora. Está há 13 semanas no top dos EUA e é o único exemplar não hip-hop, não Timbaland, não T-Pain do Top 10, o que quer dizer muito.
Nota: Eu, produto da cultura popular, me confesso. A ideia de que dos tops não vem nada de suficientemente interessante é um preconceito cultural que, felizmente, nunca me atacou. Vai daí, havemos de ir vasculhando as charts desse mundo - como de resto já faziamos - e, volta e meia, há-de aparecer algo que mereça ser destacado.
Publicada por Andre Bradford em 2/04/2008 2 comentários
Etiquetas: Música
01 Fevereiro 2008
Alinhamentos
O conceito de não alinhado é uma auto-invenção. Só os que se arrogam a sê-lo dizem que eles existem. Não há ser humano sem pensamento político e todo o pensamento político tem categorização. Assim sendo, quando pensar que é livre, livre-se desse pensamento, porque será sempre pelo menos "não alinhado" e ser "não alinhado" já é alinhar por alguma coisa.
Publicada por Andre Bradford em 2/01/2008 3 comentários
Etiquetas: Diversos
Em compensação
A blogosfera, tal como a vida, também é feita de compensações. Se num dia somos esquecidos por Arrastão, no outro somos elogiados em formato de argolada. Elogios claramente imerecidos e exagerados, mas que sabem sempre bem ler - sobretudo a parte do "cool".
Publicada por Andre Bradford em 2/01/2008 1 comentários
Etiquetas: Blog
