28 Março 2008

Está aberta a caça

Como se pode constatar através de uma breve ronda pelos blogues do costume, a época de caça rumo a Outubro de 2008 já abriu. Náo valia a pena era começarem já a utilizar bazucas. Poupem munições. Não é que vos vão servir de grande coisa, mas sempre sai mais barato.

26 Março 2008

Melhor que Estar Informado #9


Obama Girl strikes back! Desta feita com um pedido pungente para que Hillary se afaste e pare de criticar Obama. Esperam-se novos desenvolvimentos.

25 Março 2008

Crónica de um clube mais-ou-menos


Aqueles que me conhecem já devem ter notado o esforço que ando a fazer para não desancar, sem piedade, toda a estrutura dirigente e desportiva do Glorioso, de cima a baixo, passando pelos lados. É totalmente inadmissível que o Benfica tenha chegado ao que chegou.
Não me refiro à qualidade do plantel, à disponibilidade de verbas para contratar treinadores ou aos resultados desportivos. Estou antes a pensar na falta de brio dos jogadores (de quase todos), na falta de ambição dos dirigentes e dos responsáveis técnicos, na falta de rumo estratégico de quem manda e na falta de apelo do clube.
Nos anos 70, era quase impossível não ser do Benfica. Era isso a mística. Até o Moínhos (primeiro da direita, fila de cima) ou o Vítor Baptista (terceiro da esquerda, fila de cima), ou mesmo o Barros (em baixo, segundo da direita), três imensos cabeludos, com permanente e barba ou bigode a toda a largura, eram sexy. O estádio abarrotava e os grandes da Europa não eram assim tão grandes. O Glorioso não tinha estrangeiros e quase não sabia jogar mal.
Nos anos 80, o Vítor Paneira veio do Vizela e tornou-se um fenómeno. O Álvaro veio da Académica e o Veloso do Beira-Mar. O Carlos Manuel jogava no Barreirense e qualquer sueco que chegasse pegava logo de estaca.
Hoje em dia, o Benfica tornou-se um clube quase vulgar. Ninguém consegue jogar o que sabe, ninguém consegue singrar, ninguém confirma a fama que traz de outras paragens. O público que ainda ressiste não vibra, o apelo é cada vez menor e o peso de uma imensa massa associativa não serve para nada.
A crise é de orgulho! A crise é de respeito pela instituição. Qualquer um chega a Presidente do Benfica, qualquer um treina o Benfica, qualquer um joga no Benfica. Deixou de haver critério nas escolhas, um critério baseado na capacidade de dedicação e não nas verbas estimadas de uma eventual transferência futura. Deixou de haver critério nos castigos e nas dispensas. Deixou de haver critério no departamento médico, por amor de quem quer que seja!
Um clube assim é um clube morto-vivo, que só atrai mais-ou-menos - jogadores mais-ou-menos, treinadores mais-ou-menos, dirigentes mais-ou-menos - que não estimula a transcendência, a ousadia ou a inspiração. Se fosse um restaurante, o Benfica era o Mónaco, que fica numa curva que toda a gente reconhece, mas que deixou de ser frequentado.
É óbvio que Luís Filipe Vieira não é Presidente para o Glorioso. É óbvio que Fernando Santos ou Camacho não são treinadores para o Benfica. É obviamente óbvio que metade do plantel do Benfica não interessa nem à Naval 1º de Maio. Não pela qualidade (ou pela falta dela) mas sim porque não sabem o que é o Benfica.

24 Março 2008

Jukebox

Com a entrada da Primavera, música suave, melosa, para apreciadores de chocolates recheados com caramelo e chá de canela. Sem tempo para uma análise faixa a faixa, digamos, de um modo geral, que se trata de uma colectânea de canções com uma certa pureza de alma, ainda que fora de moda. Em jeito de resumo, deixo-vos com a primeira estrofe de You're Only King Once, dos americanos Beulah.



Have you seen that moon-faced kid?
That burned out hill hangs right above his head
It's so hard not to be crushed
When you're praying for too much
And the stars refuse to shine for you
They do it just to spy
Well they know you're trying too hard


1. Beulah - You're Only King Once
2. A Fine Frenzy - Almost Lover
3. Bright Eyes - The First Day of My Life
4. Mechanical Bride - Umbrella
5. Nina Persson - Frequent Flyer
6. Robert Plant & Alison Krauss - Stick With Me Baby
7. She and Him - Why Do You Let Me Stay Here?
8. Shelly Bhushan - Beautiful Me
9. Basia Boulat - Touch the Hem of His Garment
10. The Do - On My Shoulders

22 Março 2008

O Blogue do José

O José não tinha um blogue mas gostaria de ter. O José andava há dois anos a criar e a apagar esquiços de blogues que nunca chegaram a ser mais do que um post de teste. Ontem, o José encheu-se de coragem e criou um blogue anónimo. Vai escrever sobre política, puzzles, cães e sobre o negócio. Sempre que as coisas estiverem a esmorecer vai lançar uns aleivos, umas larachas e, se for mesmo preciso, pede a uns amigos para o insultarem nos comentários.
O José, como já devem ter percebido, não existe. O blogue, esse, é o que não falta.

19 Março 2008



Cidade da Praia, ilha de Santiago, Cabo Verde, Março 2008.

Muito haveria a dizer sobre Cabo Verde, empresários e comitivas municipais, mas o melhor mesmo é dedicarmo-nos a coisas sérias.

14 Março 2008

A Direita

Os franceses fartaram-se rapidamente de Sarkozy, como demonstram os resultados da primeira volta das municipais. Os espanhóis, afinal, não se fartaram de Zapatero, como demonstram os resultados das legislativas de domingo passado. Os americanos estão entusiasmados com Obama e Hilary, como demonstram os resultados das várias primárias estaduais. E a direita portuguesa, a praticante e a comentadora?! Está indignada, injustiçada, revoltada, mas nunca convencida de que, em democracia, não há vitórias de direito divino nem derrotas de ingratidão.

NOTA: A este propósito, vale a pena ler e reler o excelente artigo de Rui Tavares no Público, sobre as eleições espanholas.

06 Março 2008

Jukebox

Desta feita, uma salgalhada musical, que começou por ser uma tentativa de amostra do que de melhor vai trazendo o ano de 2008 e acabou numa miscelânia de sonoridades, com tendência para o melodrama. Espero que não levem a mal.

1. Jason Collett - Henry's Song
Collet é membro do colectivo canadiano Broken Social Scene, com quem Feist colaborou activamente antes de ser quem é. A solo é menos experimentalista e a gente agradece. A voz rouca qb, a lembrar Dylan, e a guitarra à moda antiga dão o tom nostálgico certo a um punhado de canções sinceras e sem pretensiosismos excessivos. Canada still rules!

2. Bell X1 - Rocky Took a Lover
Prosseguindo na senda do pop limpinho, os irlandeses Bell X1, onde Damien Rice ainda estaria não fôra o enorme sucesso do seu primeiro álbum a solo. Excelente regresso em 2008, com direito ao circuito de talk-shows nos Estados Unidos e salas esgotadas. Ireland rocks too!

3. American Music Club - All the Lost Souls Welcome You...
E agora lugar aos consagrados. De regresso, os californianos, que mudaram de line-up, mantêm uma forma invejável e um estilo único de cantar a América. A síntese perfeita do que é e tem sido a música americana das últimas décadas.

4. Glen Hansard e Marketa Irglova - Fallin' Slowly
A canção oscarizada deste ano. Eu já conhecia a banda sonora de "Once" e achava que podia muito bem ter sido escrita por Damien Rice. Com a atribuição do Oscar, fui rever a matéria dada e tenho de me penitenciar: há uma química entre piano e guitarra, entre as vozes e o que elas transmitem, que confere dimensão única a um grande álbum e particularmente a uma grande canção.

5. Goldfrapp - A&E
E sempre que a gente julga que já ouviu tudo dos Goldfrapp, eis que eles fazem questão de demonstrar que estamos enganados. Regresso de luxo para o duo britânico, em tons mais acústicos, com moldura pop/folk, ainda que os sintetizadores não se queiram calar de vez. Resultado: estão nos tops por todo o lado e merecem-no.

6. Readymade FC ft. Yael Naim - The Only One
Readymade FC é o nome colectivo que Jean-Philippe Verdin, compositor e produtor francês, atribui a si próprio na fase mais pop da sua carreira. Como não canta, solicitou a colaboração da franco-tunisina Naim, uma das vozes mais interessantes da actualidade, para um álbum fantástico. The Only One é só uma pequena amostra.

7. Sally Shapiro - He Keeps Me Alive
Um objecto estranho, à primeira vista. A candura é quase kitch e a sonoridade é quase pastilha elástica. A grande diferença está, contudo, no quase. Shapiro é sueca e a crítica especializada adora-a. Chamam-lhe rainha do disco, ainda que ela se recuse a actuar ao vivo e a dar entrevistas filmadas ou fotografadas. Tem tudo para vir a ser um fenómeno.

8. Kelly Sweet - Dream On
Eis quando a coisa começou a ficar mais sombria. Começou por abrir concertos de Kenny Loggins (arghhh!!!) quando tinha 14 anos, depois cantou o hino antes dos jogos dos LA Lakers e depois nunca mais parou. Uma voz brilhante, aqui num cover de um clássico dos Aerosmith.

9. Hem - The Part Where You Let Go
Um dos melhores títulos de canções que eu conheço. Os Hem definem-se como uma banda de folk progressivo (???), mas podia ser outra coisa qualquer. Saíram da obscuridade do circuito de bares de Nova Iorque por causa de um spot televisivo para uma companhia de seguros. Ei-los.

10. Robyn - With Every Heartbeat (acústico)
Uma espécie de Amy Winehouse meets ABBA. Também é sueca (pronto, Sweden also rules, sometimes!), relançou a carreira com um álbum intitulado "Konichiwa Bitches" (o que é absolutamente notável) e vende milhões em Inglaterra e agora também nos States. O single do momento, aqui em versão acústica, não envergonha ninguém e ajuda no número de visitantes do blog.


Há um terrível sentimento de despeito na blogosfera açoriana. Gente que nem tem coragem para criar um blog sob pseudónimo utiliza as caixas de comentários que se prestam a isso para despejar o saco da insatisfação, da frustração, da inveja, da maldade, da ignorância saloia (que é pior que a esperteza saloia) e da impotência, sobretudo da impotência.

Imagina-se o gozo que deve dar, um gozo quase onanista, estar sentado, sozinho, num gabinete ou no escritório lá de casa, a desancar infundada e ofensivamente a honra deste ou daquele que nos causa inveja, que nos irrita, que, servindo de termo de comparação, nos conduz à nossa devida dimensão - deste ou daquele que não devia ser quem é, ou ter o que tem, ou dizer o que diz, ou poder o que pode.

Que o Dr. Paulo Estevão me chame zelota ideológico, censor, enviado rosa (curiosamente, já houve um tempo em que a blogosfera regional me acusava de não ser socialista) ou carreirista, é política, baixa política, mas política quand même. Agora que um grupo de comentadores acirrados e escondidos no lusco-fusco dos seus escritórios e gabinetes, promovidos por uma certa maneira de fomentar as estatísticas de certo blogues, qualifiquem o meu carácter, a minha personalidade, os meus deméritos e eventuais méritos, é algo que só Freud, ou Jung, ou talvez mesmo a incompreendida Marilyn Monroe poderiam explicar.

Questionada por um jornalista sedento de polémica sobre o facto de não ser grande actriz mas ser famosa, Marilyn disse simplesmente o seguinte: "A fama despoleta a inveja. As pessoas sentem que podem dizer qualquer coisa ou fazer qualquer pergunta, por mais estúpida que seja, porque esse é o preço da fama". Ora, colocando as coisas nas suas devidas proporções, faço minhas as palavras da diva, que era tão estúpida como eu sou e muito mais bonita do que eu alguma vez fui.

03 Março 2008

Quem não tem Secretários, caça com Autarcas

Em pré-campanha para as Regionais de Outubro, o PSD/A faz convenções autárquicas. À primeira vista, poder-se-ia pensar que se enganaram nas eleições, mas não sejamos tão ingénuos, caro amigos, do que se trata é de aproveitar sinergias (como agora se diz) e de por os gatos a caçar como cães, que é como quem diz, quem não tem Secretários Regionais caça com Presidentes de Câmara.

O mais estranho, porém, é que ao invés de porem os gatos a caçarem no seu próprio território, o que facilitaria a tarefa de canídeos de substituição, o PSD/A decidiu começar por colocar a autarca de Ponta Delgada a actuar em Angra do Heroísmo. Para baralhar, dizem lá do fundo... ou isso, ou então é porque ainda há ilhas onde o PSD não dispõe de autarcas, o que - convenhamos - complica quando se pretende fazer uma convenção autárquica por ilha - e que nos deixa em pulgas para saber quem será o autarca que vai servir de estrela em Santa Maria? ou no Corvo? ou no Faial?

De Ponta Delgada para o Universo, a Dra. Berta Cabral dissertou sobre segurança, matéria sobre a qual fala imenso mas nada faz - esta é, aliás, uma linha de actuação que a Senhora Presidente da Câmara vem desenvolvendo com requinte e consistência, falar do que não faz. Então diz ela que a culpa da insegurança é dos governos da República e dos Açores, nunca das autarquias, que se gabam da proximidade como um valor inestimável para, por exemplo, cobrarem taxas e licenças, mas que não se aplica em matérias de segurança.

Como é que se resolve? Com um plano de combate às toxicodependências ou com uma política social integrada é que não deve ser, já que a Câmara Municipal de Ponta Delgada não tem nem uma coisa nem outra. Resolve-se com uma reunião do Conselho Municipal de Segurança, com a desertificação da zona histórica da cidade e com uns cinco parques de estacionamento.
Eu estou em crer que ainda há matérias de âmbito municipal que interessam aos açorianos e que, em particular no caso de Ponta Delgada, um debate sobre a redinamização das zonas históricas, ainda para mais em Angra, daria um contributo muito mais significativo para o futuro de todos nós.

Se me permitem e se pretendem manter esta linha de actuação estratégica para o futuro próximo, sugiro os seguintes debates: a crise do Kosovo - o nacionalismo ainda compensa?, na Graciosa; os novos submarinos metem água? E os helicópteros, terão sido uma boa escolha?, nas Lajes das Flores; ou Sarkozy e a nova Direita, em S. Roque do Pico.