31 Outubro 2007

Os Insuspeitos do Costume


Já se vem tornando hábito, felizmente. Alguns de nós a desancarmo-nos, a torto e a direito, e os outros, os que vêem de fora, os peritos desapaixonados, a atirarem-nos à cara aquilo que alguns de nós teimam em não querer ver.

Desta vez foi a insuspeita National Geographic Traveler a colocar o arquipélago dos Açores no segundo lugar de um ranking mundial de ilhas em termos de turismo sustentável, entre 111 destinos, premiando o equilíbrio entre a pressão da procura e a sustentação ambiental. 522 peritos decidiram que os Açores só perdem para as Ilhas Faroé à escala mundial, com 84 pontos em 100 possíveis, enquanto que, por exemplo, a tão louvada Madeira obtém apenas 61 pontos e fica muitos furos abaixo na classificação.

Não é caso para rejubilar de alegria, mas já começam a ser muitas distinções até para aqueles que se recusam a ver o que os outros não se importam de reconhecer.

30 Outubro 2007

À Escuta # 24



Richard Swift, The Songs of National Freedom

Richard Swift, um californiano para variar, faz música como já ninguém faz e por isso marca a diferença nos tempos que correm. Melodias quase inocentes, poemas ridiculamente suaves e uma clara colagem ao psicadelismo de Sgt. Pepper's. Fenómeno indie com apelo comercial qb, Mr. Swift, aqui ao vivo no fantástico "Later with Jols Holland", merece lugar em qualquer colectânea de gajos musicalmente dotados.

29 Outubro 2007

Orgulho de Ser Benfiquista!


Assim dá gosto. E nem a brilhantina de Pedro Proença, nem a prosápia de Lazaroni, conseguem afectar o orgulho que dá ser do Benfica quando o Benfica joga à Benfica.

25 Outubro 2007

À Escuta # 23



Mika, Big Girl (You Are Beautiful)

Pegando na deixa, e depois de muito reflectir sobre o enquadramento de Mika numa mixtape intitulada "Gajos Bons" (eu meto-me em cada uma?!), julgo que o rapaz merece uma menção, mesmo sendo bastante desconsiderado por um dos elementos desta brincadeira. É impossível não achar contagiante todo o álbum de estreia deste fenómeno de vendas meio british meio libanês, que plagia Freddy Mercury e os Queen sempre que pode (lembram-se de Fat Bottom Girls?), e que soa descaradamente a Scissor Sisters.

Mixtapes 2




Mixtape "Vamo-Tirar-o-Pé-do-Chão"

1. Jens Lekman - Sipping On Sweet Nectar
2. Mondovision - Basicamente
3. Buraka Som Sistema - Wawaba v1.8
4. Belleruche - ???
5. Mc Tati Quebra Barraco - Boladona
6. Chaka Khan ft. Mary J. Blige - Disrespectful
7. Christina Aguillera - Ain't No Other Man
8. Pop Dell'Arte - Querelle
9. Socalled - You Are Never Alone
10. Amy Winehouse - F**ck me Pumps


Projecto de Alexandre, André, Clara e Pedro

Anjo mas não Inocente

Não teme que esta entrevista seja encarada como mais um ponto de divisão dentro do PSD?
Não. Sou militante do PSD, tenho responsabilidades enquanto vice-presidente da bancada parlamentar na ALR e este é o momento para a discussão das ideias. A partir do momento que o PSD tiver líder eleito por voto directo e secreto dos militantes, naturalmente que passa a ser o meu líder. E procurarei que as minhas divergências com o líder sejam feitas nos locais próprios. Não faz sentido que se tornem num campo de batalha público. Não gosto muito disso, nem é o meu estilo.


A entrevista do "Anjo do Mundo" ao Açoriano Oriental de hoje é - permita-se-me a ousadia - perversa. O timing e o conteúdo foram geridos ao milímetro e revelam uma preocupação estratégica que é, no mínimo, pouco simpática para aqueles que, bem ou mal, estão a dar a cara pelo futuro do PSD/Açores.
Comecemos pela questão do timing. Não é obviamente inocente o facto de a entrevista surgir em plena campanha eleitoral para as directas. E eu já nem estou a pensar no dilema deontológico de se entrevistar um colaborador do jornal numa altura de grande sensibilidade político-partidária, porque isso é matéria que devia preocupar os responsáveis pelo jornal e que não me diz respeito. Estou antes a referir-me apenas à decisão de Pedro Gomes, enquanto deputado e dirigente regional do PSD, particularmente em face do contexto presente do partido, no exacto dia em que termina o prazo para a entrega de candidaturas à respectiva presidência. É impossível não saber as ondas de choque que as suas declarações podem provocar e, sobretudo, é impossível não as desejar.

Quanto ao conteúdo, a coisa é mais complicada. Desde logo, temos a consagração do princípio da candidatura a prazo, que é algo de surreal para um partido que procura retomar o poder na Região, objectivo para o qual todos são poucos. Se bem percebo, a lógica é a seguinte: Pedro Gomes acha que os actuais candidatos são fracos, perdedores garantidos, acha também que a Dra. Berta Cabral é que era a candidata que todos desejavam, mas está disponível para ser, ele próprio, candidato a Presidente do PSD/A num futuro qualquer?! Ehn?! E o que é que o impede de ser já candidato? "Nestas eleições não, porque os candidatos são os dois que existem". Perceberam? Eu também não.

Mas há mais. Colocado perante a questão de ter sido membro da Comissão Política Regional nos últimos dois anos, ao lado de Costa Neves, Pedro Gomes faz esta afirmação assassina: "Estou desiludido com a liderança de Costa Neves nestes dois anos. Esperava mais." Ou seja, não apoiando nenhum dos candidatos em disputa, acaba por "esfaquear" duas ou três vezes o actual Presidente do partido, com quem trabalhou de perto, não se conhecendo publicamente qualquer desavença ou contestação em relação ao rumo que foi traçado por Costa Neves, embora ele diga que "nos locais próprios" manifestou o seu desacordo.

Depois há a célebre questão geracional, que no PSD/Açores é uma espécie de item obrigatório em qualquer entrevista ou declaração pública dos social-democratas açorianos. Pedro Gomes acha que "para a geração do PSD que já cresceu em autonomia e tem como referência o processo autonómico, está na altura de se chegar à frente.", fazendo presumir que essa geração é a sua e que não se sente representada pelos candidatos existentes. Se está na altura de chegar à frente porque é que insiste em ficar lá atrás? E que geração é esta? A de Victor Cruz? A de José Manuel Bolieiro, que apoia Costa Neves? A do próprio Pedro Gomes, que foi deputado à Assembleia da República ainda no tempo de Mota Amaral? A de Berta Cabral, aquela que ele considera ser a melhor candidata à sucessão? E Costa Neves, a que geração pertence?
O cisma geracional é da ordem do poder discursivo, não tem consistência prática, não existe de facto no PSD/Açores porque a grande maioria das respectivas figuras de proa tem mais de 20 anos de actividade política, embora pertença a faixas etárias distintas.

Que consequências concretas resultam da entrevista? Pedro Gomes vai apresentar uma moção ao Congresso. Ui, que corajoso. Além de ser o barómetro da ousadia do PSD - "vai servir como um barómetro para avaliar até que ponto o partido está disposto a olhar para o dia de amanhã" - a dita moção vai "suscitar desafios". Eu cá, que não tenho nada a ver com isto, acho que para suscitar desafios esta entrevista já é suficiente.

24 Outubro 2007

Melhor que Estar Informado # 8




Por uma questão de equidade e uma vez que já postamos a Obama Girl, temos agora de postar também a Hot 4 Hill Girl, embora neste caso se coloquem questões mais delicadas, como se pode constatar na estrofe "I know you're not gay but I'm hopping for bi...lingual". E ainda falta mais de um ano para as eleições.

PS - Obrigado, caro FT.

23 Outubro 2007

Prémio "Qualquer um pode ser letrista"

Lancei-me ao desafio,
voltei a tentar passar pelo jardim das estátuas.
E as balas faziam efeito nas nuvens de fumo,
na cabeça delas!!!

Lancei-me ao desafio,
e fiz com que fosse o espaço por entre as ofensivas
saltei em velocidade deixando atrás de mim,
a desilusão da nova geometria.

Hoje penso em retrospectiva.
Valeu a pena! Valeu a pena! Valeu a pena! Valeu a pena!


"Jardim das Estátuas", OiOai

À Escuta # 22



Socalled, "You Are Never Alone"

Mais uma prova inequívoca de que o centro do mundo da música é, nos tempos que correm, o Canadá. Socalled é um projecto de um homem só, o músico, fotógrafo e escritor Josh Dolgin, sediado em Ottawa. O vídeo de "You Are Never Alone" é talvez o melhor clip do século XXI e a música também não é de se deitar fora. Avisam-se os mais sensíveis que algumas das imagens podem ferir algumas susceptibilidades.

Lixo Industrial

«(...) Costa (António, administrador da GSU, empresa concessionária do Aterro Intermunicipal de S. Miguel) reconhece que a célula existente ficou descoberta durante algum tempo com o objectivo de aumentar a duração do aterro em um ano "e a Dra. Berta Cabral, que faz parte da AMISM, sabia disso".»

«Porque é que o projecto apresentado (para o Azores Parque) foi à tangente - 9,96 ha - e não superior a 10 ha, como seria natural? A questão colocada por Cardigos (Frederico, Director Regional do Ambiente) obtém resposta automática junto da nossa fonte: "foi para ganhar tempo, porque um EIA (Estudo de Impacto Ambiental) demora nove meses a elaborar".»
Açoriano Oriental, edição de hoje


Ou seja, andamos a brincar aos parques industriais e aos aterros sanitários. As conveniências políticas foram a única justificação para que a situação tivesse chegado ao ponto que todos conhecemos. O mesmo se passa com o Parque Subterrâneo da Avenida Marginal ou com o Parque de S. João, sobre os quais muito ainda há a dizer.

22 Outubro 2007

fragmentos 4

tinha sido amor à primeira vista e agora ele estava cego, cegueira histérica disseram-lhe os médicos, mas de histérica não tinha nada. tinha sido insinuante, paulatina, maviosa, tudo o que se quiser, mas nunca histérica. agora, seis meses depois de ter amado à primeira vista a mulher da sua vida, depois de anos e anos a pensar que o amor era uma construção da razão, deixava de poder ver a sua amada, num golpe de ironia para o qual não estava preparado.
ela tentou convencê-lo de que a visão só teria servido para despertar a chama e que agora quem comandava o sentimento era "de certeza" o cérebro, mas ele já tinha tido tempo para perceber que, sem a poder ver, não era a mesma coisa. faltava-lhe a linha do sorriso, a curva do pescoço, a languidez das ancas, o recorte do cabelo à contra-luz, para poder ser completo e um amor, como todos sabemos, sem ser completo não vale a pena.
decidiu separar-se até que a visão os tornasse a juntar, se a visão os tornasse a juntar. ela chorou desmesuradamente na despedida, num café da marginal, ele não. sem ver não seria nunca capaz de a amar como ela merecia. ele sabia-o, ela nunca o teria percebido.

Em dia de anúncios

21 Outubro 2007

À Escuta # 21



Chaka Khan ft. Mary J. Blige, "Disrespectful"

A isto tem de se chamar, como diria Ali G, (DIS)RESPECT(FUL). Miss Chaka Khan, em versão 2007, com a ajuda da fabulosa Mary J. Blige. É muito som! Como ainda não há video oficial, temos de ficar com esta colagem fotográfica, que eu sugiro que ignorem. Caro Pedro, the floor is yours!

Mixtapes


Para por as coisas em ordem, aqui fica o registo da primeira mixagem colectiva que este vosso servo, os moradores da casa com vista para o mar e o ilhéu Alexandre prepararam sem querer (ou mesmo querendo). Infelizmente, ainda não consigo disponibilizar o podcast respectivo porque não sei funcionar com o software. Com o tempo a coisa aperfeiçoar-se-á.

MixTape Sem Título # 1

1. Rilo Kiley - Dreamworld
2. The Superfantastics - Tonight Tonite
3. Beirut - Elephant Gun
4. The Go! Team - Doing It Right
5. Northern State - Three Amigas
6. 50 Cent feat. Robin Thicke - Follow my Lead
7. Tim Keegan - On a Good Day
8. Polyphonic Spree - Running Away
9. The Electric Soft Parade - If that's the Case, then I don't Know
10. The Thrills - Nothing Changes Around Here

19 Outubro 2007

Finalmente!

Presidente da Associação de Municípios de São Miguel acusa também Berta Cabral pelos problemas no “Azores Parque”

Rui Melo responsabilizou, hoje, em conferência de imprensa, a presidente da Câmara de Ponta Delgada de ter criado problemas no parque, sobretudo por ausência de planificação. Acusou, também, a empresa “Azores Parque” de “vender gato por lebre” e de ter “mentido” aos empresários para ali se instalarem. Em resposta, Berta Cabral refutou estas acusações, sublinhando que “não comenta questões internas” da AMISM, que devem ser “tratadas os espaços próprios e adequados” para tratar desses assuntos.

TSF/Açores, Noticiário das 12h30

À Escuta # 20


Mondovision, "Basicamente"

Admitindo que 10 é um bom número para cada mixtape, permito-me considerar que a faixa de Jens Lenkman, que o Alexadre em boa hora postou, deu início à segunda edição desta nossa brincadeira. Sigo com o projecto Mondovision e "Basicamente", que vai da salsa à novela mexicana, da libertação de Cuba às escolas de samba. O cérebro musical é o DJ e produtor Giovanni Sample, mestre do mashup (i.e., misturas video). A ideia, digo eu, é fazer uma mixtape género "vamo'-tirar-o-pé-do-chão".

18 Outubro 2007

Armazéns de Lixo


O que se está a passar com o "premiado" Azores Parque e a vizinhança incómoda do Aterro Sanitário Intermunicipal era um quadro mais que previsível quando o projecto do parque industrial começou a ser pensado. Ninguém no seu perfeito juízo escolheria instalar um conjunto de armazéns, com valências de atendimento ao público e infraestruturas de apoio, ao lado de uma lixeira. É claramente uma má opção de planeamento e uma aposta errada.
Agora que o mal está feito, e como que por magia, a Câmara Municipal de Ponta Delgada, principal promotora da iniciativa, não tem (como já vem sendo habitual) culpa nenhuma, coitada. Reparem nas subtilezas argumentativas: a empresa que gere o Azores Parque é "participada pela Câmara Municipal de Ponta Delgada"; o Aterro Intermunicipal, vulgo Lixeira das Murtas, é "gerido em regime de concessão, atribuída pela Associação de Municípios de S. Miguel"; e os proprietários de armazéns que não estiverem satisfeitos "podem sempre vender". Por outras palavras, está tudo muito certo desde que a Dra. Berta Cabral não tenha culpa nenhuma.
Mas tem. É que, primeiro, a tal empresa que gere o Azores Parque (a AZORES PARQUE - Sociedade de Desenvolvimento e Gestão de Parques Empresariais SA) é uma sociedade anónima que conta com seis sócios, sendo o sócio (muito) maioritário precisamente a Câmara Municipal de Ponta Delgada (51% + 31%, via Coliseu Micaelense SA??!). Aliás, o site do empreendimento diz abertamente que a CMPDL é "Sócia de Referência", acrescentando "é um dos sócios de referência que elabora toda a parte de gestão deste projecto". Mais, se recorrerem ao Relatório e Contas de 2006, verificarão que a Senhora Presidente da Câmara é Presidente do Conselho de Administração, acompanhada de dois dos seus vereadores, na qualidade de vogais. Resumindo, quem elabora toda a parte de gestão tem responsabilidade sobre a escolha da localização e deve assumir os erros e as consequências negativas.
Segundo, o Aterro Intermunicipal. É, de facto, gerido em sistema de concessão, por um consórcio que envolve as empresas NORMA Açores e HIDURBE, do Grupo SOMAGUE, mas quem concessionou mantém, de acordo com o respectivo regime jurídico, os direitos de fiscalização da actividade da concessionária. Ora, sendo a AMISM a entidade que concessiona, sendo a Senhora Presidente da Câmara Presidente da Assembleia Intermunicipal, sendo o Senhor Vice-Presidente da Câmara 1º Vogal do Conselho de Administração da AMISM, e sendo a mesma composta por quatro municípios do PSD, contra dois do PS, estamos a falar de quê quando falamos da AMISM?? Outra questão é a de saber porque é que o poder de influência da maior autarquia de S. Miguel não é suficiente nesta questão, mas isso levava-nos muito longe, para fora do âmbito do presente post.
Sendo assim, não faz sentido que a CMPDL organize reuniões com os (muito justamente) agastados proprietários dos armazéns do Azores Parque para afinar estratégias de actuação junto de entidades terceiras, que são, no fundo, a própria CMPDL ou afins. Bastava, por exemplo, que a Senhora Presidente da CMPDL reunisse com a Senhora Presidente do Conselho de Administração da AZORES PARQUE e com a Senhora Presidente da Assembleia Intermunicipal de S. Miguel e chegasse a consenso, já que o mal foi não ter planeado ou previsto o que estava à vista de todos.

À Escuta # 19

If That's The Case, Then I Don't Know

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The Electric Soft Parade, "If that's the case, then I don't know"

Dando as boas-vindas à Clara, neste projecto quasi-anárquico, e depois de os Polyphonic Spree me terem lixado a entrada de Kate Nash, deixo-vos com The Electric Soft Parade, a banda dos irmãos White (os gordinhos da guitarra e da bateria), que se gaba publicamente de "não ser como os Oasis", seja lá o que isso for, aqui em versão garagem. O som e o visual, por fugir dos cânones "ar-rebelde-e-desarrumado-mas-que-levou-três-horas-a-preparar", justificam a entrada nesta mixtape.

PS - Este post é dedicado à Clara.

Avante! Greve

AVISO: Esta não é uma tentativa de pressão, de qualquer tipo, sobre o livre direito de manifestação e à greve dos trabalhadores portugueses.

FACTO: Jornal "Avante!", 18 de Outubro de 2007

CONCLUSÃO: As greves podem ser justas ou injustas mas são sempre políticas.

17 Outubro 2007

À Escuta # 18

Northern State, "Three Amigas"

Uma pequena batota para manter o nível da brincadeira. Como não há videoclip para a melhor música do álbum, recorri a este estratagema. Senhoras e senhores, Northern State. Com produção dos Beastie Boys, mas quanto a mim muito mais à frente, aqui ficam Sprout, Hesta Prynn and Spero, três "senhoras" (que é como quem diz) nova-iorquinas, com língua solta e uma ironia ácida. No caso concreto, podemos falar num exemplar único do ainda por criar "hip-hop spaghetti".

PS - Alexandre és obviamente bem-vindo. É a vossa vez. A gente - agora a sério - devia por isto em formato podcast, pelo menos, enquanto não chega a rádio com visão, eh! eh! eh!

16 Outubro 2007

À Escuta # 17



The Superfantastics, "Tonight Tonite"

Retribuindo a simpatia do Pedro, um dos melhores videoclips dos últimos anos e uma banda a descobrir sem reservas, do frio de Halifax, Nova Escócia, Canadá, um rapaz e uma rapariga, uma guitarra e uma bateria, e muita inspiração. Eu diria que são os White Stripes em versão melodiosa mas tenho medo dos puristas.

PS - Este post é dedicado ao Pedro.

Trânsito Subjectivo

De manhã, a RDP/A dizia, em directo, que o trânsito circulava "com alguma fluidez". À hora do almoço, a mesma RDP/A afinava o discurso e substituia a fluidez por "resignação", sem dizer nunca que o trânsito estava caótico. Pode ser que logo à noite o repórter de serviço abra os olhos e veja as filas que se formaram hoje na baixa da cidade de Ponta Delgada.

15 Outubro 2007

Primado do Gamanço Privado

No sector público, a isto chamar-se-ia nepotismo e daria direito a duas comissões de inquérito, três fóruns radiofónicos e televisivos e uma resma de crónicas inflamadas.
Na privada, eu sei, eu sei, é lá com eles, o dinheiro é deles e a gente não tem nada a ver com isso. É o chamado primado do gamanço privado sobre o imperativo da moral pública. E há quem acredito nisso piamente.

Adenda

Lamentavelmente, esqueci-me de falar no post anterior do autêntico mortal encarpado com flic-flac à retaguarda, de parca execução técnica, feito pelo PSD/Açores no Congresso do último fim-de-semana. Entraram, a medo, como ex-apoiantes de Marques Mendes e sairam, em euforia, como mais um dos muitos retalhos da manta de Menezes. Nem todos, diga-se em abono da verdade, porque houve um ou dois que tiveram a decência de nem ir ao Congresso.

14 Outubro 2007

Desastre Iniciático

Não eram fáceis as condições em que o PSD realizou o seu XXX Congresso, mas também não era caso para um fiasco tão grande. É certo que o líder já estava eleito e que isso retira algum interesse e calor ao debate, mas também não é menos verdade que havia uma quantidade de cargos, nomes e anúncios para gerir, pelo que, com um certo engenho, seria possível manter o suspense sem ser necessário cair no ridículo.
Pois, Menezes não o conseguiu. Primeiro, colocou-se nas mãos de Santana Lopes sem qualquer tipo de explicação, permitindo que o pior Primeiro-Ministro de Portugal ditasse as regras de um relacionamento que o comum dos mortais nunca irá perceber. O dito "pacto institucional secreto", celebrado entre os dois, não foi nem secreto, já que apareceu em todos os jornais diários nacionais, nem institucional, uma vez que Santana não representa qualquer instituição, nem sequer partidária. Acrescentando o tabu da liderança parlamentar, temos o quadro completo de um desastre desnecessário. Valeu o facto de Santana não ter falado ao Congresso.
Depois, temos o binómio tradição/mudança, que foi completamente esvaziado de dividendos políticos. Menezes aparecia como o homem da mudança, da nova geração, o anti-barões, o nortenho anti-elistista, mas comportou-se como o líder fraco e medroso que quer agradar a todos, que vai de Arlindo Cunha a Mendes Bota, de Zita Seabra a Feliciano Barreiras Duarte, de Duarte Lima a Mota Amaral. Ninguém pode fazer uma manta de retalhos tão grande e esperar que ela o proteja de todo o tipo de intempéries. No meio de toda esta salada, que são os homens de Menezes e o que estão eles dispostos a aguentar?
Finalmente, temos os tristes episódios de Manuela Ferreira Leite e das votações para os órgãos nacionais. Quanto à Dra. Ferreira Leite, não percebo (e provavelmente nunca perceberei) tamanha vassalagem. A senhora tem direito a não dizer nada durante 20 minutos e a ser aplaudida de pé, merecendo depois um impulsivo convite público do líder, para depois vir dizer não com o mesmo ar compungido com que dita as contas do Orçamento de Estado. Já no que diz respeito à votação, ficou à vista que uma coisa é vencer as directas, outra completamente diferente é (continua a ser) vencer votações em Congresso. Por isso, há que tomar precauções e medir forças com antecedência. Menezes, por inaptidão ou porque é realmente diferente, preferiu passar a vergonha pública (e futuramente a dificuldade acrescida) de não dispor da maioria do Conselho Nacional do Partido, devido a uma lista encabeçada por Castro Almeida! (Quem?!! ouço perguntar, também não sei a resposta)

12 Outubro 2007

fragmentos 3

todos me conhecem pelo homem das vírgulas, ninguém sabe o meu nome. nesta sociedade funcionalista em que vivemos é suposto ser assim e eu não ouso admitir o contrário publicamente. a minha função é zelar pelo integral cumprimento do código de virgulação no âmbito da produção legislativa de grau intermédio, missão que desempenhei durante 35 anos, sem mácula curricular.
(uma ou outra vez, para meu auto-comprazimento, consegui anular um ponto e vírgula sem que ninguém desse conta e sem que tal fosse necessário... bons tempos)
orgulho-me do meu empenho profissional e de ficar indelevelmente ligado ao lançamento do primeiro virgulário oficial, quando toda a gente pensava que o tempo era de pontos finais. julgo até que revolucionei o sistema de pontuação regular ao introduzir o conceito de vírgula prescindível de incidência pendular, algo de difícil explicação mas de ampla utilização.
reformei-me ontem, passando a assumir funções de zelador do particípio passado, algo que me entedia brutalmente. sonhava reformar-me na área do condicional ou, com um pouco de sorte, no sector das aspas, que tão mal tratadas têm sido. mas não tive essa sorte, sendo destacado para, numa fase de pouco futuro, supervisionar o passado - pagam bem mas não me alegram.
devia ter entrado para a FLPV - Frente de Libertação dos Pontos e Vírgulas quando tive oportunidade para isso. deixei-me ficar agarrado ao conforto de uma carreira funcionalmente correcta. preferi o ócio de quem sabe o que faz ao risco de quem faz o que quer. sou, hoje, um nostálgico da pontuação alternativa, mas tenho fé que o mundo se venha a tornar completamente disfuncional em poucas décadas. quando uma vírgula deixar de ter morada certa, eu serei uma alma feliz, sem ponto final

Paz Verde

Creio que o Nobel da Paz não é apropriado ao esforço pedagógico e de alerta desenvolvido por Al Gore em relação à questão das alterações climáticas. Porém, estou certo de que existem mais que fundadas razões para que Gore mereça destaque internacional por ter dedicado esta fase da sua carreira a consciencializar o mundo para os perigos de um fenómeno de vitais consequências para o nosso futuro colectivo. Foi o da Paz por não haver categoria mais indicada, mas antes isso do que nada.

11 Outubro 2007

Doris quem?

Trust no friend without faults, and love a woman, but no angel.
Doris Lessing, Prémio Nobel da Literatura 2007


Não conheço Doris Lessing, como autora, digo. Nem sequer de ter ouvido falar. Não sei de todo quem é. De qualquer modo, pela rápida pesquisa que fiz, custa-me muito a perceber porque é que alguns já a catalogaram como uma "escolha politicamente correcta" (talvez por ter escrito "Não podes ser comunista se fores casada com um funcionário público"??!) ou uma "escolha menor" (talvez por ter dito "Algumas pessoas obtêm fama, outras merecem-na").
Tenho muitas dúvidas que tenha um culto de peso em Portugal ou que possa ser arrumada em vinte páginas lidas à pressa. Não a conheço, repito, nem sequer de ouvir falar, mas acho mais prudente esperar para conhecê-la.

03 Outubro 2007

fragmentos 2

não me perguntem por que não me calei. não sei ainda hoje como fui capaz de pensar que podia fazer diferença o que tinha para dizer mas, sabem, não é a carne ou o sangue que fazem da família um espaço de comunhão, é o coração, e o meu raramente se cala ainda que possa falar baixinho.
disse-lhe que podia partir, que fosse, que nos deixasse, que saísse e não voltasse. disse-lhe que o amor não se pode impingir, que é da sua própria essência ser genuíno e que ele já tinha perdido todas as oportunidades de fingir ser espontâneo. não estávamos dispostos a tolerar o estatuto de fardo que ele nos tinha atribuído silenciosamente, dolosamente, aliando o passar dos dias ao surrar da memória, só porque achava que pai é pai e que família é família, e que isso basta.
ele olhou-nos fundo mas sem alma e atirou-nos um grave: não se diz isso a um pai. abriu o portão da garagem, meteu-se no carro
(não sem antes procurar a inseperável pasta de camurça amarela por toda a casa)
e partiu.
soube que se suicidou há cerca de duas semanas, agarrado a uma pasta de pele preta. deixou uma nota escrita em papel azul de vinte e cinco linhas. dizia: fui o pai que soube ser, não o pai que devia ser. mesmo assim, fui pai até ao fim.

01 Outubro 2007

Árbitro Vermelho # 3

O árbitro vermelho esteve de baixa, por manifestas dificuldades de agenda. Logo por azar, a vacatura apanhou o período mais conturbado da arbitragem desde o início do campeonato, e ainda por cima com consequências para o Glorioso. Vou tentar por as coisas claras:

Duarte Gomes (Lisboa) - Estrela da Amadora/Benfica (Taça da Liga)

O árbitro indicado para um jogo tão mau. É tudo menos benfiquista, como o comprova um passado recheado de penalties para o Jardel marcar, tanto quando jogava no FCP como no Sporting. O penalty, como toda a gente já sabe, foi mal assinalado, a indicação do fiscal de linha não deveria ter sido validada pelo árbitro e o Benfica merecia ter perdido o jogo. Ah... e está uns bons quilos mais gordo.

Pedro Henriques (Lisboa) - Benfica/Sporting

Outro dos jovens árbitros endeusados pela crítica sem nenhum tipo de justificação. É militar e tem um bocadinho a mania que é mau (de feitio, entenda-se, porque, apesar de ser mau tecnicamente, julga que é bom). Falhou no penalty sobre o Romagnolli e no penalty sobre o Freddy Adu. Acertou, felizmente, no suposto braço na bola de Katsouranis, não validando a indicação do fiscal de linha. O maior problema foi o contexto em que o Sporting o quis envolver, que o obrigou a fazer uma arbitragem interpretativa, ou seja, baseada naquilo que os outros iriam pensar sobre as suas decisões e não naquilo que efectivamente se passou no campo. Deve ter suspirado de alívio com o empate.

Paulo Baptista (Portalegre) - Sporting/V. Setúbal

Prejudicou claramente o Setúbal: não marcou um penalty daqueles que gritam contra o Sporting e arranjou um penaltizinho conveniente para ver se o Sporting voltava ao jogo. Foi sem querer? Mesmo que tenha sido, foi uma arbitragem muito pior do qualquer uma das duas acima mencionadas e lá por isso não me lembro de ter ouvido ninguém do Sporting exigir pedidos de desculpa.

PS - O FCP este ano não precisa de árbitros.